Olá…
Hoje pela manhã ao ler o jornal me deparei com uma nota falando sobre a “lei do Pai Nosso”, e resolvi dar uma olhada em como isso estava repercutindo na internet, me deparei com diversos pontos de vista, mas antes de comentarmos e expor estes, vou colocar aqui um pequeno resumo dessa notícia, para que mesmo quem não tenha visto possa se inteirar.
“ Os alunos da rede municipal de ensino da cidade de Ilhéus, no sul da Bahia, vão se deparar com mudança de rotina no retorno ao ano letivo de 2012, marcado para o dia 13 de fevereiro. Uma lei, de número 3.589, publicada no dia 12 de dezembro de 2011, diz que é ‘obrigatório as escolas do município de Ilhéus orar o Pai Nosso antes das aulas“, conforme o artigo 1° do decreto. Ilhéus tem cerca de 29 mil crianças e adolescentes matriculados nas escolas municipais, segundo a Prefeitura.
Apesar do tom impositivo da redação, a assessoria da Prefeitura diz que a obrigatoriedade é inconstitucional e que não haverá nenhum tipo de sanção ao não cumprimento por parte do alunado, professores ou unidade de ensino. O prefeito, Newton Lima (PT-BA), não foi encontrado pelo G1 para comentar a decisão. A assessoria do gestor informa que ele está em uma localidade que não possui sinal de celular. O autor da lei é o vereador Alzimário Belmonte (PP-BA). Na próxima semana, a secretária de Educação da cidade, Lidiany Campos, diz que tem audiência marcada com o prefeito e com professores municipais para o debate de como a lei deve ser aplicada. ‘Apesar de o estado ser laico, é importante a crença, acreditamos nisso, principalmente nas escolas, em que o índice de violência é grande, há inversão de valores, quem sabe a religião ameniza’, afirma a secretária, que é professora da rede municipal há 26 anos.
Ela acredita que a lei será flexível, em coerência com os princípios democráticos. ‘Não será obrigatório rezar o Pai Nosso. Teremos a mesma postura com a do Hino Nacional [há uma lei municipal para que o Hino seja tocado diariamente]. Tem alunos que cantam, tem postura adequada, tem professor também que não quer cantar. Tem escola que cede e escola que não cede. Nem por isso são punidos’, revela. Fonte: G1
Muitos acreditam que essa lei ajudará a retomar alguns valores morais que foram se perdendo com o tempo, afinal não se deve ficar preso a religião, mas como um passo inicial para a educação além da grade curricular atual, afinal a escola é uma entidade que tem o dever de educar, e isso vai bem mais além das equações e conjunções verbais (em hipótese nenhuma estamos diminuindo essas tão importantes matérias) o dever do professor é também passar aos seus alunos valores como, ética, cidadania, honestidade, respeito entre outros que devem ser aprendidos e levados para a vida. E antes isso era aprendido na escola e reforçado no lar (e vice-versa) o que vemos em número cada vez menor hoje em dia, por isso a lei pode ser uma tentativa desse resgate.
Por outro lado alguns acreditam que essa lei seria teocrática, portanto não devia ser aplicada em um país laico como o Brasil. E que poderia causar até indisposição entre os alunos e os professores. Afinal algumas crenças não tem o costume dessa oração, como o Budismo por exemplo, sem contar os cerca de 7% da população que se dizem ateus ou agnósticos.
Para agregar um pouco mais de conteúdo a esse post, colocarei aqui também uma entrevista do vereador Alzimário Belmonte (autor da lei) cedida a revista Época.
O que diz a lei? O Pai Nosso deve ser rezado antes das aulas nas escolas públicas do município.
Como vai ser feita a fiscalização? Isso aí é com a Secretaria de Educação.
O que acontece com quem não cumprir? A lei não prevê sanção nenhuma. Seria um absurdo se tivéssemos uma sanção porque a pessoa não quer orar o Pai Nosso, já pensou?
Já pensei. Então, a lei não vale? Não, apenas não quer dizer que é obrigatório. Vivemos em um estado laico de direito. Se a pessoa quiser orar, ora. Se não quiser fica calada, pede licença, sai da sala na hora da oração.
Por que o senhor escolheu o Pai Nosso? Porque é a oração que Jesus nos ensinou. Está lá na Bíblia Sagrada: “Quando orardes, orardes assim: Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome”.
O senhor é de qual religião? Sou da religião de Jesus Cristo. Frequento a Igreja Batista. Mas não faço diferenciação de pessoas por causa disso. O importante é Jesus. Uns seguem Buda, o Alcorão, essas coisas, não é?
O senhor pretende aproveitar a onda para criar projetos de lei para outros religiosos? Se alguém fizer eu aprovo.
A Lei do Pai Nosso é seu legado para Ilhéus? Tem muita gente que achou boa e pertinente. É a lei e o canto do hino nacional antes das aulas que as pessoas gostam. É minha mensagem para disciplinar o ser humano, educar e dar uma lição de vida.
A cidade não tem problemas que mereçam mais sua atenção? Claro. Criei um comitê de combate à pedofilia, o conselho municipal de política sobre drogas, o fundo municipal do direito do dependente químico, a lei que proíbe fumar em espaço público… Em resumo, só criei coisas importantes para a cidade.
O que significa esse seu apelido, Gurita? Esse apelido ganhei por força de um goleiro de futebol daqui. Quando era criança, eu o imitava e o nome dele era Gurita.
Fonte: Revista Época
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“Apesar de o estado ser laico…”, já falou tudo, pra que insistir numa babaquice dessa?!