Well, Well…
Ah… Mas que ótima fase se encontra o cinema Pernambucano! Existe um trabalho de reinvenção que toma conta das cabeças geniais desses cineastas, e são todas produções de identidade e que pouco a pouco estão conseguindo seu lugar na história do nosso cinema, um grande exemplo foi “O Som ao Redor” (2013) do Kleber Mendonça.
Quem abriu a porta dessa última leva de grandes filmes Pernambucanos foi Cláudio Assis com “Febre do Rato” em 2011, e é dele que falaremos um pouco hoje…
No cinema nacional existe uma elitização, onde produções com grandes orçamentos e boas distribuições dominam o circuito comercial do país, praticamente todo mês a Globo Filmes lança alguns de seus longas metragens, com uma fórmula que não inova em nada, porém consegue levar tantos espectadores quanto alguns blockbusters de Hollywood. Fora desse circuito existem pequenas produções que procuram o seu espaço e tentam sobreviver em salas de cinema do país e filmes como o do cineasta Pernambucano Cláudio Assis (Caruaru, Pernambuco, 19 de dezembro de 1959) sofrem com esse processo de distribuição.
Cláudio Assis em seus filmes não se contenta em mostrar pouco, com histórias sempre protagonizadas no Nordeste, ele gosta de brincar com valores morais da nossa sociedade e faz um cinema cru e característico regionalmente. Seus filmes possuem vozes próprias e que gritam para o mundo que o cinema é livre, que acima de tudo são trabalhos artísticos e que nos permitem ver o comportamento humano de uma forma despida de pompas. Afinal, esses três longas do Cláudio estão aqui para nos mostrar “que até a anarquia precisa de tradição”!
A sua filmografia não é muito vasta, possui cinco curtas e três longas. Os longas são “Amarelo Manga” (2002), Baixio das Bestas (2006) e Febre do Rato (2012). Em todos os três filmes nota-se características que definem as obras de Cláudio Assis e uma evolução estética e narrativa entre eles, isso fica evidenciado em seu último trabalho, que é o filme “Febre do Rato”. Esse filme estreou em pouquíssimas salas do Brasil, com distribuição da Imovision e chegou a permanecer por algumas semanas em somente uma sala em São Paulo.
“Febre do Rato” levou inúmeros prêmios, foi exibido em festivais e conseguiu ótimas críticas, mas como sempre o filme foi visto por “elites” e não pelo “povo” que protagoniza os filmes de Assis, soa como algo irônico, que seus filmes que tratam de realidades tão específicas do Nordeste não conseguem chegar aquela parcela da população.
Assis também possui uma visão sobre cinema muito “avessa”, podemos afirmar que Cláudio é um anarquista cinematográfico. Em uma de suas entrevistas para divulgação do seu filme “Febre do Rato”, ele cutucou nas entrelinhas os grandes nomes do cinema nacional da atualidade, como por exemplo: Walter Salles e Fernando Meirelles, que segundo ele abandonaram o umbigo para produzir no exterior. Isso remete ao pensamento anárquico cultural de Assis, que prefere trabalhar em pequenas produções em seu próprio país, mostrando sua terra; do que ter um bom orçamento para filmar no exterior onde ele não teria liberdade artística.
Não podemos deixar de mencionar também o roteirista Hilton Lacerda, que é o grande parceiro de Cláudio. Juntos eles conseguem levar o “Hellcife” ao público, guiando seus personagens e fatos ao estômago e ao sexo da sociedade e os filmes ao estômago e sexo da indústria cinematográfica. Hilton agora está no processo de finalização de seu primeiro filme como diretor, que conta com Irandhir Santos como protagonista e trata da Ditadura Militar no Brasil, o filme se chamará Tatuagem e deve chegar aos cinemas nacionais ainda em 2013.










